Talento e muito treino proporcionam a atletas brasileiros oportunidade de cursar uma graduação em universidades norte-americanas
Estudar e praticar – a sério – um esporte nem sempre são tarefas simples de conciliar. Nos Estados Unidos, no entanto, é uma rotina comum e incentivada por faculdades, que dão bolsas para atletas com boas notas frequentarem suas instituições e competirem por elas nas ligas esportivas acadêmicas daquele país. A boa notícia é que elas podem ser distribuídas para alunos estrangeiros, e atletas amadores brasileiros estão aproveitando seus talentos e anos de treino para conseguir uma vaga em curso superior nos EUA.
Além das práticas esportivas, há exigências acadêmicas para obter bolsas de graduação nos EUA. A principal delas é ter terminado o ensino médio com boas notas. Thaïs Burmeister Pires, gerente do Centro de Orientação EducationUSA-Alumni, explica que as universidades convidam alunos que sejam bons na quadra e na sala de aula. “Quanto melhor aluno e atleta o jovem for, mais chances terá de conseguir bolsas maiores em instituições melhores”, explica a representante no Brasil da rede global afiliada à seção de Educação e Cultura do Departamento de Estado dos EUA.
Os técnicos esportivos de faculdades norte-americanas têm um orçamento para bolsas à disposição e podem distribuí-las da maneira que considerarem pertinente. “Eles podem escolher entre dar quatro bolsas de 100%, que cobrem todos os custos universitários, de alimentação, o material escolar e esportivo, além da moradia em um dormitório estudantil, ou distribuir o benefício parcialmente para mais alunos”, diz Felipe Fonseca, diretor da empresa Daquiprafora, especializada em consultoria a atletas que querem fazer graduação nos Estados Unidos. “A maioria consegue bolsas de 40% a 80% do custo total”, completa.
Fluência na língua não é obrigatória
A fluência na língua inglesa é outro aspecto importante na disputa por vagas, mas a falta dela não chega a ser um impeditivo para que um bom atleta possa defender um time de instituição de ensino. Em muitas universidades, é exigido do aluno o teste de proficiência em inglês Toefl e um exame de matemática e inglês cobrado para ingressar em curso superior, o SAT. Mas algumas faculdades menores e menos rígidas aceitam que alunos com pouca habilidade com a língua cursem cadeiras de inglês e de disciplinas em que a conversação não é tão importante para o aprendizado nos primeiros semestres. “Eu não falava nada”, conta Gilberto, que ficou um ano estudando só inglês, educação física e espanhol até conseguir passar no Toefl e começar o curso de graduação para valer.
Experiência não é para tornar atleta profissional
“Se o objetivo do atleta é se tornar profissional, pode desistir de estudar nos EUA”, aconselha Thiago Caffaro, de 25 anos, que frequentou por três anos e meio a New Jersey Institute of Technology, em Nova Jersey, e concluiu o curso de administração em Madri, também com ajuda proporcionada pela performance no futebol. “Só decidi tentar a bolsa quando percebi que não seria profissional”, conta o jovem que treinava no clube São Paulo durante a infância e adolescência.
A grande maioria dos estudantes que cursam uma graduação com bolsa de atleta colhe frutos da experiência na área de estudo, não no esporte. A rotina de treinos durante a faculdade é intensa, mas também é preciso estudar muito, superar a barreira da língua, se adaptar a uma cultura diferente. O foco é na formação completa dos alunos e não prepará-los para serem atletas profissionais. É o que aconteceu com Thiago, que retornou ao Brasil em 2007 e hoje trabalha em uma consultoria. Depois de formado, ele participou de 13 seleções de empresas para trainee e foi aprovado em todas. “A graduação nos EUA com certeza é um diferencial para o mercado de trabalho”, diz.









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